Que internacionalista ou estudante de Relações Internacionais nunca se sentiu perdido em relação ao nosso campo de atuação, que atire a primeira pedra. Acredito que esse seja um sentimento comum a muitos estudantes universitários, dos mais variados cursos. No entanto, a formação ampla e multidisciplinar do profissional de Relações Internacionais talvez suscite essas dúvidas de forma mais latente.

Eu já fui essa aluna. Traduzi essa dúvida em diversas experiências durante a graduação: me envolvi em grupos de pesquisa, para aflorar meu lado acadêmico; trabalhei em um estágio na própria universidade, através da Bolsa PIBIC; me engajei em atividades com organizações voluntárias estudantis; fiz dois intercâmbios – de voluntariado e um a trabalho – para viver a tal da experiência transformadora internacional; e fiz estágio em uma startup, no ascendente ecossistema tecnológico de Florianópolis.

Todas essas experiências foram extremamente válidas e, se hoje me sinto muito contemplada com a minha carreira, tais escolhas na graduação foram fundamentais para que eu me descobrisse e tomasse as decisões que tomei. No entanto, no começo de 2017, alguns meses antes de começar o projeto de conclusão de curso e recém chegada de um dos intercâmbios, eu ainda tinha as minhas dúvidas. Qual lado seguir? Carreira no setor privado e de tecnologia? Internacionalização de empresas? Concurso público?

Foi quando eu descobri, por uma outra colega já formada em Relações Internacionais, um novo campo de atuação que me brilhou os olhos: a inovação no setor público.

Em 2017 eu conheci a WeGov, empresa privada na qual trabalho hoje, que dissemina e faz a inovação acontecer no setor público. Baseada por três premissas simples que norteiam todas as atividades da empresa I) empoderar servidores e agentes públicos; II) iluminar as boas ideias e ações e III) aproximar as três esferas de os três poderes; a WeGov me mostrou que existem caminhos (e muitos) para o profissional de Relações Internacionais que quer seguir nessa conexão entre o mundo público e o privado.

Em um mundo hiper globalizado e interconectado, novos e complexos desafios surgem às sociedades que requerem novas soluções. Os modelos tradicionais de atuação no setor público podem se tornar obsoletos e não cumprir em seus objetivos com o cidadão. E é nesse ponto que inovação no setor público caminha, em uma abordagem mais centrada no cidadão-usuário de maneira a resolver problemas complexos sociais.

Por tal motivo, eu percebi que a característica fundamental de um internacionalista, a sua multidisciplinaridade, é o que lhe permite transitar por tantos cenários e ecossistemas de maneira tão adaptável e natural. No meu caso, analisar o espectro público e pensar em estratégias para mudá-lo, ao mesmo tempo em que se parte de uma visão e utilização de ferramentas do mundo privado para inovar.

A minha trajetória dentro da WeGov me deu a autonomia e oportunidade de desenvolver uma área internacional dentro da empresa, que foge do objetivo da internacionalização, mas parte do pressuposto de que a inovação pública é disseminada através de uma rede global de inovadores nesse setor.  Foi ao tomar essa iniciativa, pelo anseio de conectar meu emprego com a minha formação, de que eu descobri que o mundo da inovação no setor público vai muito além de pensar só em nosso setor público.

Me deparei com organizações internacionais extremamente engajadas nesse tema e procurando profissionais no Brasil que pudessem conectar a inovação no setor público brasileiro com outras redes ao redor do mundo; encontrei empresas privadas dispostas a gerar impacto social em governo; me surpreendi com iniciativas que vinham desde os Estados Unidos até ao Chile e que têm muito em comum; e o mais importante de tudo, entendi o quanto todas essas ações, provenientes dos mais diversos campos de atuação, trabalham em conjunto pela inovação no setor público. E foi nesse espaço que eu percebi o quanto um profissional de RI enriquece e é importante para esse movimento.

Se você se interessa pelo tema ou tem minimamente curiosidade para entender sobre inovação no setor público, desprenda-se dos pré-conceitos formados a partir da sua vontade de trabalhar no serviço público ou não e participe do CONRI, onde eu conversarei mais sobre o tema e contarei um pouco da minha trajetória nesse campo ainda pouco explorado por nós, internacionalistas.